Colégio Municipal José Aras apresenta ‘Projeto Juventude’

Inicialmente, o espaço físico havia sido construído em forma de mercado para abrigar pequenos comerciantes de hortifrutigranjeiros, que comercializavam seus produtos na feira livre da Av. Ruy Barbosa e ocupavam espaços nas calçadas.

Joaquim da Silva Dantas (Yoiô), então prefeito municipal que havia dado início às grandes transformações urbanísticas da cidade: construção de praças, pavimentação de ruas e abertura de novos logradouros públicos, etc., e tentava organizar a feira livre dividindo-a por setores específicos, teve que enfrentar a resistência dos comerciantes da avenida, que temiam pelo esvaziamento do local.

Para eles (comerciantes) a presença de muita gente passando na frente dos seus estabelecimentos comerciais significava feira movimentada e possibilidade de negócios.

Um pouco distante da Av. Ruy Barbosa, já que o então mercado estava localizado em uma área criada para expansão da cidade, onde não havia outros imóveis, o projeto inicial da prefeitura municipal não resistiu à campanha contra desencadeada pelos comerciantes e o local foi esvaziado, pois não havia cumprido a sua finalidade inicial. A feira de verduras voltou para a Av. Ruy Barbosa.

Mais adiante, com a necessidade de oferecer mais vagas e um curso diferente, além de o Magistério promovido pelo então Ginásio Normal Oliveira Brito, o imóvel do ex-mercado foi declarado “anexado” ao GNOB, que posteriormente foi transformado em Educandário Oliveira Brito,  (EOB), nomenclatura conservada até os dias atuais.

A então “Escola Anexa”, apesar de estar a quase cem metros do EOB, foi adaptada para receber alunos que ingressavam no então ensino do 1º grau, após concluírem o ensino primário, - onde o aluno, após concluir a 5ª série, passava por um exame de admissão e, se aprovado fosse, ingressaria no ginásio.

Quem não queria ser professor (Magistério), optava pelo curso de Contabilidade, ministrado na Escola Anexa, que passou a ser chamada de Escola Técnica e, assim, ficou conhecida por muitos anos, até que o Município resolveu transformá-la em escola pública para atender à demanda cada vez maior de alunos egressos das escolas que ofereciam os cursos de alfabetização. Enquanto o EOB passava por ampliações em suas instalações e era transformado em escola de ensino médio.

O curso de contabilidade não foi avante, pois, na realidade, não era reconhecido e servia, apenas, como ferramenta de conhecimentos básicos de contabilidade.

De Escola Técnica ou Escola Anexa, o imóvel passou por outras transformações em sua estrutura física: ampliação do numero de salas de aula, pátio de recreação, cantina, banheiros, sala de diretoria, entre outros.

Atualmente, é o segundo maior estabelecimento de ensino público municipal, com uma clientela de 1700 alunos. Não faz muito tempo, sofreu uma nova alteração em sua nomenclatura e passou a chamar-se Colégio Municipal José Aras (CMJA), em homenagem ao saudoso escritor e poeta José Aras, um autodidata euclidense com bons serviços prestados à Cultura, Arte Popular, Literatura sertaneja e fundador do Museu de Canudos (extinto) em Bendegó, então distrito de Euclides da Cunha, local de preservação de armas, peças e objetos usados por soldados e jagunços que lutaram na Guerra de Canudos.

Coordenado pela profª.msc.Rosimere dos Anjos Ferreira, o CMJA ganhou, recentemente, um projeto muito bem elaborado pela sua coordenadora, denominado ‘Projeto Juventude’, que contempla toda a comunidade docente e discente, extensivo aos pais e/ou responsáveis com ações construídas em blocos.

O Projeto Juventude “procura colaborar com a formação socioeducativa dos alunos do CMJA, dando ênfase ao protagonismo juvenil, com o objetivo de trabalhar com a adolescência/juventude, num envolvimento entre educação e participação democrática”.

“A escolha da ênfase no protagonismo juvenil é por acreditar que um projeto desta natureza e com esta temática, implantado em uma Unidade Escolar do semiárido baiano, venha contribuir de forma significativa para a formação deste adolescente e jovem”.

Ainda dentro desta formação, o “Projeto Juventude está voltado para a vivência dos valores humanos, cidadania, desenvolvimento humano, cultura e a participação democrática num território marcado pelas injustiças sociais, por práticas escolares excludentes em relação ao adolescente e aos jovens e pela busca de fazermos a diferença no que diz respeito ao cumprimento da função social da escola: o sucesso é de todos. O fracasso é de todos”.

...“Caminhos, Trilhas, desafios, sonhos, possibilidades são postos para que possamos caminhar juntamente por aqueles/as que acreditam nessa possibilidade: fazer um caminho diferente. Sonhamos sempre com uma sociedade mais justa, mais igualitária, que possamos agora, fazer esse percurso. Está posto o desafio”.

“... Como Justificativa, “é na experiência com o outro, e também com os outros, que vão ser construídas novas formas de interagir/construir um mundo melhor. O que nos instiga, enquanto Unidade Escolar Pública, é essa possibilidade de fazermos o melhor para atendermos os anseios de nossos alunos e alunas, que a nós confiam o seu futuro, e, por isso é algo muito sério, que nos convida a revermos as nossas trajetórias enquanto educadores”.

“Justifica-se a implantação desse projeto no Centro Educacional José Aras, por percebermos no momento as possibilidades de construirmos uma nova forma de fazer educação juntamente com os nossos adolescentes, jovens, suas famílias envolvendo a escola como um todo: equipe, gestora, coordenação pedagógica, professores, merendeiras, pessoal de apoio, vigilantes, pois é o Centro Educacional José Aras educando como um todo e não uma ação isolada”.

“Desenvolver práticas pedagógicas inovadoras tendo como suporte teórico-metodológico os princípios e valores da educação para adolescência e juventude, estabelecendo uma relação entre escola, cidadania, família, participação democrática, são objetivos desta ação”.

O Projeto Juventude contempla itens específicos, como: o fortalecimento das práticas pedagógicas; relações entre escola x família x comunidade; trabalhar com práticas pedagógicas diversificadas; fortalecer as relações colegiadas       na Unidade Escolar; valorizar o pensar, o fazer e interagir dos adolescentes e jovens do Colégio Municipal José Aras.

Proposta, natureza do projeto, objeto e objetivos pretendidos, por quê?   Para quem? Que resultados se pretende alcançar? Que atividades é preciso realizar para alcançar resultados pretendidos? Que recursos humanos e materiais são necessários para concretizá-las? Tempo para realizar as ações, responsabilidade, avaliação. São componentes deste projeto que tornarão a escola mais atraente e eficiente em seus ensinamentos.

No último mês de maio, teve início o Projeto de Ação n° 5, que teve como tema: Aulas de Reforço.

Justificado pelo déficit de aprendizagem nos conteúdos da Língua Portuguesa e Matemática, detectado na avaliação feita pela direção da escola, que determinou uma intervenção para corrigir a situação, com a finalidade de reverter esse processo na vida escolar do aluno.

Para não prejudicar o andamento das aulas no CMJA, a direção da escola conseguiu junto ao Instituto de Educação O Farol do Conhecimento, salas para as aulas de reforço, com toda a infraestrutura disponibilizada para os professores: data show, notbook, material de uso continuado, ambiente climatizado, etc.

200 alunos foram beneficiados com as aulas ministradas pelos professores Jurandir Dornellas, Jailda Barbosa, Zilda Carneiro, Mirian, Joelma Márcia, Rozilda Gonçalves, além de a colaboradora profª Fabianne Tiara.

Outro aspecto importante das aulas de reforço foi à participação dos pais que, na condição de ouvintes, também puderam acompanhar de perto o trabalho de reforço escolar voltado para os filhos.

Para eles, os pais, também foram elaborados dicas extraídas da Cartilha do MEC, que podem ajudá-los em casa, como por exemplo: estabelecer horário para os filhos cuidar da lição de casa, organizar o material escolar antes de começar a lição; enfim, planejar para cumprir com os deveres, participar da vida escolar, estabelecer limites, etc., além de Informações importantes extraídas de o livro Dar Limites, de autoria da escritora e pedagoga Tânia Zagury.

O Projeto de Ação n º 02 cuida de um tema importante que envolve professores e alunos da instituição. Trata-se das Visitas Domiciliares, justificada pela necessidade de serem desenvolvidas ações sociais que precisam ser tomadas em conjunto com a escola, com reflexos na aprendizagem, bem assim em uma nova postura adotada pelos educadores, alunos e família.

Implantar uma ação integrada família-escola para atuar nos casos de alunos faltosos, criando situações diferenciadas de aprendizagem visando à melhoria da frequência do educando, é objetivo geral. Como objetivos específicos, realizar oficinas pedagógicas com conteúdos adequados à realidade enfrentada pela família do aluno faltoso, com intervenções e atitudes corretas com relação aos estudos.

As visitam também abordam questões como: participação na vida escolar dos filhos; direito a uma melhor qualidade na educação; incentivar a visita dos pais à escola, entre outros.

Diversão e lazer também contemplam o PJ, que neste ano de 2012, se comemora o centenário de Luiz Lua Gonzaga (Gonzagão), o eterno rei do baião, responsável maior pelo excelente trabalho em defesa das causas sociais relevantes em prol do povo nordestino, por meio da música, arte popular e o prestígio que tinha junto aos principais políticos do Nordeste e de outras regiões do País.

Os festejos juninos envolveram toda a comunidade escolar, que teve à frente a profª Maria Aparecida e equipe, que tem feito um bom trabalho apara manter o prestígio da escola junto à comunidade euclidense.

Todas as turmas do 6º ao 9º Ano foram envolvidas neste projeto que teve como objetivos específicos: conhecer a origem das festas juninas; admirar e respeitar o trabalho do homem no campo; ouvir com interesse as informações trazidas pelos colegas; valorizar a tradição das festas juninas; desenvolver a socialização da criança; desenvolver a linguagem oral e escrita; ampliar o vocabulário; estimular a criatividade e a imaginação por meio de atividades relacionadas ao tema. Enfim, promover a festa junina do Colégio José Aras. Outros eixos importantes também foram desenvolvidos: Identidade e autonomia, artes visuais, movimentos, música.

O Projeto Juventude é um instrumento muitíssimo importante para o Colégio José Aras, uma escola municipal que ganhou credibilidade junto aos pais, pela qualidade do seu corpo docente formado por profissionais da educação de qualidade. Seria muito interessante a distribuição de exemplares para toda a comunidade escolar, pais, autoridades, etc.                                           
 

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